Nuno Guerreiro ao vivo e em grande forma Já lá vão uns anitos – precisemos: dezasseis – que Nuno Guerreiro deixou boquiaberto um Portugal não preparado para uma voz contra-tenor nos tops de música. Foi assim no início, com a Ala dos Namorados. Entretanto, o rapaz fez-se homem e está já a preparar o lançamento do seu terceiro disco em nome próprio. O tempo passa... Nuno Guerreiro presenteou-nos com uma noite de emoções e recordações. Para além dos seus próprios temas, interpretou músicas da Ala dos Namorados, como o “Caçador de Sóis” ou “Fim do Mundo”, e versões de temas (já) universais como “Everybody's Got to Learn Sometime”, “Miss Sarajevo” e “Creep”. Falou um pouco do seu percurso musical e apresentou algumas das suas novas criações como “Se não estiveres cá”, “Gangster mascarado” (onde o guitarrista Berg encanta em background com a sua slide guitar) e “Não sei”. Esta última foi, de resto, repetida no encore e será o primeiro single do novo álbum. O refrão foi repetido até à exaustão: Eu sei que te vou amar, Não sei se tu vais gostar, Bem sei que eu vou tentar, Não sei o que vais pensar Boa batida e boa escolha para primeiro single! “Guida” foi interpretada com muita emoção, e foi um momento alto. Como foram, de resto, aqueles que Nuno nos trouxe com “Criatura da noite” e “Solta-se um beijo”, nos quais o público participou fortemente. “Vem cá”, cantada na versão original com T.T., serviu de mote para a apresentação dos oito músicos que constituiram a banda de Nuno Guerreiro. A saber: no saxofone - Guto Lucena; nos contrabaixo e baixo - Miguel Amado; na bateria - Carlos Miguel; na guitarra e segundas vozes – Berg; ao piano - Ruben Alves; e nos coros - Joel X, Héber e Bambino. O concerto terminou após um encore, com os “Loucos de Lisboa”, durante o qual Nuno Guerreiro desceu do palco e se deslocou pela sala, plateia dentro, a despedir-se e a agradecer a todos. Singular. No fim do espectáculo, Nuno Guerreiro subiu ao café-concerto do Cine-teatro, onde transformou uma sessão de autógrafos num convívio informal com os seus (maiores ou menores) fãs. Quem optou por não ir logo para casa, certamente que não se arrependeu: muito bem-disposto, muito irreverente e, de novo, muito simpático, tratou com enorme deferência todos aqueles que a ele se dirigiram para um autógrafo, para uma fotografia ou apenas para uma troca de impressões. Muito terra-a-terra, este Nuno Guerreiro. Já gostávamos dele e passámos a gostar ainda mais... Ainda por cima, está a cantar cada vez melhor! Em suma: a voz de ouro fechou com chave do mesmo quilate este ciclo de Concertos Íntimos levado a cabo no Cine-teatro de Estarreja, que se mostrou de novo uma sala com condições fabulosas, a todos os níveis. “Reportagem de Sara Salgado e Rui Vaz”- http://aimagemdosom2008.blogspot.com/